José Guedes (DEM) foi eleito para o cargo no dia 3, após renúncia de Alessandro Bonifácio (PRTB); vereadores denunciam manobra.
A juíza de plantão no fórum da comarca de Nova Lima, Myrna Fabiana Monteiro Souto, determinou a anulação da eleição do presidente da Câmara Municipal, José Geraldo Guedes (DEM). Ela atendeu ao pedido feito em ação anulatória movida por dois vereadores da oposição. Segundo a decisão, com data deste sábado (7), Guedes deve ser afastado imediatamente do cargo e nova eleição deve ser convocada. Cabe recurso.
No dia 1º deste mês, Alessandro Bonifácio (PRTB), de apelido “Coxinha”, foi eleito presidente da casa e renunciou ao cargo no dia seguinte. Em 3 de janeiro, foi feita uma nova eleição, que indicou para o cargo o vereador José Guedes, presidente da última legislatura. Segundo alguns vereadores, houve uma manobra para reconduzir o parlamentar à presidência da Câmara, já que o regimento interno da casa não permitiria reeleição na troca de mandatos.
Segundo a decisão, os parlamentares Silvânio Aguiar (SD) e Wesley de Jesus (PEN) alegaram que houve fraude na votação, ocorrido no dia 3 deste mês. “O grupo político do José Guedes fez uma eleição no dia 1º e elegeu Alessandro Bonifácio. No dia seguinte, este renunciou. E no dia 3, fez-se uma nova eleição e José Guedes se candidatou com o argumento de que não é uma eleição subsequente, pois houve uma no meio, e é eleito por 6 votos a 4”, disse o advogado Lucas Ticle, que representa os vereadores que moveram a ação.
José Guedes não foi localizado para comentar o caso. A reportagem também não conseguiu contato com a Câmara Municipal de Nova Lima.
O prefeito Vítor Penido (DEM) divulgou nota lamentando a situação na câmara e afirmou que isso atrapalha a votação de projetos importantes para a cidade. “É lamentável a forma como foi conduzida a eleição da presidência da Câmara de Vereadores. Essa indefinição tem inviabilizado a cidade com a falta de votação de importantes projetos para a saúde, infraestrutura e educação. Somente com a união entre os poderes Executivo, Legislativo, Judiciário e a sociedade civil vamos conseguir tirar o município da crise. Esperamos que essa situação triste da política de Nova Lima se resolva logo para que a cidade possa caminhar”, disse o prefeito.
Alessandro Bonifácio, que renunciou ao cargo no dia 2 de janeiro, também não foi localizado. Logo após a renúncia ele havia comentado o caso e afirmou que teria sofrido pressão externa e, inclusive, ameaças. “Ontem [2 de janeiro] o dia inteiro pressão interna. Câmara de Vereador, presidente, não é cabide de emprego. É toda hora um ligando, querendo emprego. (...) Eu sou vereador para legislar e fiscalizar o povo, para ajudar o povo, não para dar cabide de emprego, igual tava uma tentação”, explicou Bonifácio.

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